Um dos maiores alertas do Ministério da Saúde à população é com relação à obesidade, que se trata de uma doença caracterizada pelo excesso de peso, ocasionado por um grande acúmulo de gordura corporal. Um estudo recente mostra que 48,1% dos adultos brasileiros estão acima do peso. De 2003 pra cá, o número de pessoas com sobrepeso subiu 8,1%. Hoje consumimos exageradamente mais carne do que legumes e hortaliças, isso porque cada vez mais temos copiado os hábitos norte americanos e, se continuarmos como estamos, a expectativa é que daqui treze anos tenhamos o mesmo número de obesos que nos EUA.

Existem muitos fatores que levam à obesidade, passando pela genética, disfunções hormonais e também pelo metabolismo. Esses fatores aliados aos maus hábitos alimentares assumem diferentes quadros clínicos nas diversas realidades sócio-econômicas e o que maioria das pessoas não sabe é que além de artrose, diabetes, hipertensão, cálculo biliar, doença do fígado, osteoartrite, problemas pulmonares, infartos, redução da fertilidade, risco elevado de câncer de mama, insuficiência venosa crônica, resistência à insulina, intolerância à glicose, maior risco de derrame, entre tantas outras doenças, a obesidade também provoca distúrbios emocionais, assim como distúrbios emocionais também podem ser fatores causadores da obesidade.

Segundo a psicóloga Nair Kiomi Yamaguchi, os fatores psicológicos podem influenciar os hábitos alimentares e, de fato, muitos pessoas comem como resposta a emoções negativas como tristeza, medo, tédio ou raiva, e grande parte dos pacientes obesos relatam o seu comportamento compulsivo na vida diária. Características como autoestima baixa, fraca autoconfiança, carência afetiva, negação do próprio corpo, sentimentos de vergonha, inferioridade, dificuldade de comunicação, exclusão de ambientes sociais, ressentimento do passado, raiva do presente, medo do futuro, autopiedade e dificuldade de executar ato sexual são muito comuns em grande parte dos obesos.

“Estudando os aspectos psicológicos de pacientes obesos, foi percebido um sintoma em comum: a ansiedade. Conceituada como um estado emocional transitório ou condição do organismo, é caracterizada por sentimentos desagradáveis de tensão e apreensão conscientemente percebidos, assim como por aumento na atividade do sistema nervoso autônomo. Certo nível de ansiedade em obesos possivelmente mascara dificuldades internas, afetivas e racionais, requerendo um tratamento psicológico urgente”, explica ainda a Nair.
Num grau de distúrbio psicológico um pouco mais avançado se observa características comportamentais que acabam mobilizando certo desvio de caráter, apresentando-se a desonestidade, preguiça, insegurança, inveja, imediatismo (busca por resultados rápidos) e extremismo (executa regimes maiores do que os propostos, por exemplo), instigando a falta de perseverança nos propósitos.

Com tantos resultados maléficos à saúde mental, é de extrema importância que o obeso tenha um acompanhamento psicológico. Obviamente este tratamento deverá ser aliado ao tratamento médico, social, nutricional e físico. O primeiro ponto que o profissional de saúde mental irá trabalhar no paciente é a aceitação do problema, pois a partir daí conseguirá enxergar que seu estilo de vida o está prejudicando. O acompanhamento psicológico poderá ser feito individualmente e também em grupo, pois pessoas que têm o mesmo tipo de problema acabam se ajudando quando este é compartilhado.

É de extrema importância que seja levantada uma ficha do paciente para se obter todas as características dele, como cultura alimentar (hábitos), ambiente familiar, traumas sociais, atividades diárias e doenças, pois assim o psicólogo poderá traçar uma linha de tratamento pessoal para cada indivíduo, ajudando a melhorar o ambiente que o cerca, inclusive o familiar, o que não é uma tarefa fácil.
Assim como afirma a Dra. Nair Yamaguchi, ao trabalharem com esses pacientes, os profissionais de saúde mental podem ser instrumentos na correção das concepções equivocadas deles sobre as causas de sua obesidade, na identificação e no manejo clínico com o intuito de que o próprio comece a fazer escolhas saudáveis de estilo de vida, que levem a um maior bem estar físico e psicológico.

O interessante e correto seria que todos se conscientizassem da importância da prevenção da obesidade se informando sobre a doença, adquirindo a cultura de praticar atividades físicas regulares, consultando um nutricionista, tornando os hábitos alimentares mais saudáveis, dormindo na dose certa, bebendo bastante água e prestando sempre atenção no aspecto psicológico. Isso evitaria a necessidade das hoje tão procuradas cirurgias de redução de estômago, depressões e mesmo mortes.
Para você saber se está acima do peso, faça uma conta fácil do seu Índice de Massa Corpórea, o conhecido IMC. Basta dividir seu peso em quilogramas pela altura ao quadrado em metros:
Por exemplo, se você pesa 52Kg e mede 1,63 m, você deve utilizar a seguinte fórmula para calcular o IMC:
IMC = 52 ÷ 1,63²
IMC = 52 ÷ 2,66
IMC = 19.55
Após obter o resultado, cheque na tabela IMC e verifique em que grau você se encontra:

Se você não sofre de obesidade, se previna contra ela. Se você já está acima do peso ou obeso, comece ainda hoje a se cuidar mudando seus hábitos, procurando profissionais de saúde física e nutricional e lembre-se que obesidade não tem somente a ver com estética e aspecto físico, mas também com o psicológico, que se não tratado pode causar avanços sérios à doença.

Se ame. Se cuide.
Juliana Amorim
Fontes:
* Dra. NAIR KIOMI YAMAGUCHI
Psicóloga CRP/06 14.420.1
R. Teodoro Sampaio, nº 2.112 – Cj. 01
Pinheiros – São Paulo - SP
Tel/Fax: (11) 3813-2912
E-mail nair.ky@gmail.com / nair_yamaguchi@superig.com.br
* Grupo de Obesidade do Hospital das Clínicas de São Paulo
* Ministério da Saúde - Pesquisa: Vigilância de fatores de risco e proteção para doença crônica






