A maioria das meninas passa pelo ballet na infância. Muitas abandonam, mas o meu caso de amor com a dança foi mais forte que as circunstâncias. Comecei com 2 anos na pré-escola e depois o baby class numa escola de ballet, que foi interrompido pela primeira vez aos 5 anos pela separação dos meus pais. Depois voltei e parei várias vezes, porque toda vez meu pai não deixava me apresentar nos espetáculos de final de ano; ele sempre frizava que: “dançar não dá futuro, vá estudar. Deixa isso para lá”. Que preconceito! Como se a dança não fosse uma profissão!
Mais tarde, na adolescência, peguei raiva da dança, não podia nem ver na TV que mudava de canal. E pouco a pouco fui enterrando meu sonho. Mas como amo tudo relacionado ao corpo e criatividade, facilmente me dediquei às outras artes, aos esportes e até ginástica olímpica. Na hora de escolher uma faculdade, fiquei na dúvida entre Artes Plásticas e Educação Física (porque ainda não tinha faculdade de Dança), mas claro que meu pai se opôs e então me formei em Propaganda e Marketing com habilidade em Criação, pelo Mackenzie. Jogava Handball e Basquete pela faculdade, e nas horas vagas fazia capoeira. Tudo tentando suprir a necessidade de movimento, até as baladas tinham o único objetivo: dançar.
Trabalhei no mundo da publicidade por 9 anos, buscando a aprovação paterna, mas sempre de olho na arte, fiz curso de Artes Plásticas no Centro Cultural e curso de Direção Cinematográfica no SindCine. E com horrível sensação de quase lá. Então aos 23 anos, me converti e achei que esse sonho nunca mais teria lugar, primeiro porque pensava que Deus também teria preconceito com a dança, segundo por ser uma igreja de “surfistas” e terceiro devido minha idade. Foi aí que Deus me surpreendeu me dando esse ministério. Porque Ele criou todas as coisas! Ele criou a dança para seu louvor! Curada e restaurada, retomei as aulas e em 2006, aos 28 anos entrei na tão sonhada Faculdade de Dança e Movimento na Anhembi Morumbi, fiz 3 anos, que foram muito bons mas resolvi trancar, sair do teórico, mergulhar novamente na prática e correr atrás do tempo perdido. Na Escola de Bailados do Teatro Municipal fiz curso para Professores que desenvolvem trabalho com crianças, com a Prof. Rosana Gomes. Com profissionais Internacionais da Candoco Dance Company fiz Workshops de Dança Integrada e Acessibilidade, foi uma experiência incrível ver pessoas sem pernas e braços dançando com tanto amor. A dança é uma linguagem universal, une povos, e as diferenças e limitações, até mesmo físicas, desaparecem! Na Dança Contemporânea aprendi muito com grandes profissionais como Miriam Druwe, Marina Muniz , Lu Favoretto e com o Roberto Amorim, meu professor atual.
A trajetória profissional do bailarino envolve uma formação precoce e um tempo restrito de atuação, ele raramente continua nos palcos ao se aproximar dos 40 anos. Mas eu, aos 30 anos, larguei a carreira publicitária para começar minha carreira de bailarina. Depois de 8 anos de ministério fundei a Artéria Cia Profética em 2009. E só pararei quando Deus quiser. Atualmente aos 33 anos faço Ballet Clássico e Contemporâneo na Sopro, Hip Hop com Ana Charbel da Casa da Dança e técnicas Circenses com Debora Scarcelli da Academia Brasileira de Circo. Gosto de explorar várias linguagens com meu corpo e ver como ele reage, interage e se reorganiza. Procuro conhecer a diversidade das danças naturais rumo a minha pesquisa de dança sobrenatural/celestial. Faço e dou no total de 14 aulas por semana, de 1h de duração cada. O treinamento diário resulta em melhor percepção do corpo, do espaço que ocupa, sons e ritmos, da consciência do próprio peso sobre uma ou ambas as pernas, e do tal do eixo, que cada dia parece estar num lugar. Pois nosso corpo nunca acorda igual, ele se transforma a cada dia. A rotina de uma bailarina é como de um militar e um atleta, pois envolve muita disciplina, rigorosa dedicação, superação, foco, cuidados com a alimentação, coordenação, ritmo, interpretação e sem falar nas dores. Mas o prazer do espetáculo e da cena valem a pena. Fazem-nos sentir vivos e o privilégio de passar uma mensagem ao expectador nos remete à importância da arte e da utilização consciente do corpo como forma de expressão.
Não dançamos só com o corpo, dançamos com a alma e o espírito. É uma atividade completa sendo muito benéfica para a saúde. Por isso, resolvi me assumir como aquela que Deus criou: bailarina-intérprete, coreógrafa e professora. Não só como ministério, mas como profissão! O sonho se tornou realidade! E deu futuro, muito melhor do que pensei ou imaginei!
Porque Jesus, o Artista Supremo, Criador de toda Arte suou sangue em seu corpo por amor a nós; a Ele seja o meu suor, dedicação e inspiração!
Não danço para viver, eu vivo para dançar!
Sei que tenho uma responsabilidade com os artistas da minha geração! Eis me- aqui! Amo minha profissão e a coloco a serviço do Reino!

Porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos; como também alguns dos vossos poetas disseram: Pois somos também sua geração. Atos 17:28
Simone Alves






