Eu sempre amei a escola, amo estudar, os relacionamentos estabelecidos na escola, toda a integração pessoal e sempre fui muito boa aluna, portanto, ao término do colégio, não tinha idéia do que fazer na faculdade, queria fazer tudo se pudesse... Entre várias tentativas, pensamentos e milhões de orações para que Deus me direcionasse, fui fazer um cursinho de inglês e, por fim, decidi que gostaria de fazer Letras (português/inglês).Não poderia ter feito escolha melhor! Eu tinha paixão pela faculdade e nem me imagino tendo feito qualquer outra coisa.
Nessa época eu já trabalhava há algum tempo. Era funcionária de uma seguradora estatal, onde comecei a trabalhar aos 16 anos e fiquei durante dez anos e meio. Era um emprego bastante estável e com um salário razoável. Logo, apesar de ter grande vontade de ser professora, diante de tanto desprestÃgio da profissão e algumas tentativas frustradas nas atribuições de aulas do Estado, eu desisti da ideia, a princÃpio, claro.
Ao término da faculdade, resolvi fazer um curso de inglês numa das melhores escolas de idiomas e fiz o curso completo, com grande dificuldade, principalmente financeira, pois era um absurdo de caro. Mas consegui terminar em três anos um total de 12 módulos e ter a condição de "Inglês Avançado".
Passaram-se ainda alguns anos e fui desligada da Seguradora. Como eu não sabia procurar emprego, afinal, eu não havia procurado o primeiro (tinha passado num concurso) e nunca tinha trabalhado em nada além de seguros, sem contudo querer continuar atuando nessa área, minha única opção foi orar. Orei e disse ao Senhor: "Deus, eu quero trabalhar numa universidade, pode ser na secretaria mesmo, no perÃodo da tarde/noite, pois tenho algumas guerras espirituais para batalhar durante o dia, o Senhor bem sabe, e quero ver como é uma Copa do Mundo na Universidade, como as pessoas se comportam, como a instituição se prepara para a torcida, etc."
Parece bastante bizarro, não é?! Mas foi isso mesmo que eu pedi!
Fui demitida em maio e no dia 1º de dezembro estava trabalhando numa das maiores universidades de São Paulo, no perÃodo da tarde/noite e no ano seguinte era ano de Copa do Mundo (2006).
A pessoa do RH que me entrevistou perguntou-me: qual é o seu objetivo em mudar de área e trabalhar aqui?
Respondi: meu principal objetivo é ser professora, então, estando numa instituição de ensino, penso que poderia ser mais fácil alcançar.
Ela me disse: aqui será impossÃvel, você jamais seria uma professora aqui, nós jamais te contratarÃamos como tal.
Eu olhei bem para ela e pensei: vamos ver, ela não conhece o Deus que eu sirvo.
Amo essas situações, sabe?! Pois elas só provam o quanto Deus é fiel!
Comecei meu trabalho lá na secretaria, trablhei muito, muito mesmo, sempre com muita dedicação, fazendo a diferença, como todo servo de Deus deve fazer.
Após dois anos, fui promovida à assistente da secretaria e em menos de um ano após, à coordenadora geral do campus. Na porta da minha sala havia uma placa que dizia o seguinte: Professora Cristiane Taborda e meus horários de atendimento.
E aà eu penso: Deus é fiel ou não?!
Eu não exercia exatamente a profissão de professora, mas coordenava todos os coordenadores de curso e, de certa forma, os professores e, inevitavelmente todos, tinham de me reconhecer e me chamar de professora.
O cargo, na verdade, passou a me exigir posturas não muito agradáveis e eu já não o queria mais. Conversei com minha superior; após uns meses fui demitida.
Menos de dois meses depois estava trabalhando em outra grande instituição de ensino e o desejo de dar aulas estava sempre dentro de mim. Não entendia, às vezes, como eu gostava tanto de uma coisa, sabia ensinar e não trabalhava com isso!!! Eu tinha estudado tanto!!!
Mas eu precisava trabalhar, meu marido estava desempregado e não tinha jeito, precisava aceitar a vaga de secretária.
Sete meses depois eu fui indicada para uma vaga de professora numa escola infantil bilÃngue e há duas semanas estou trabalhando lá.
Deus é tão, tão fiel, que para entrar nessa escola eu precisava fazer um treinamento de dez dias, mas como eu faria se estava trabalhando o dia inteiro? Além disso, o treinamento não era uma garantia de contratação, poderia dar certo ou não.
Conversei com meu chefe e iria pedir demissão, mas sabem o que ele me disse?
"Cris, eu te libero para fazer o treinamento, não tem problema! Se der tudo certo e você passar, vá. Mas se não der certo, você pode continuar aqui."
É uma empresa séria, grande, onde normalmente somos números e não pessoas. Mas Deus moveu o coração dele e ele permitiu que eu tentasse primeiro, antes de me demitir sem saber o que aconteceria.
Fiz o treinamento e no quinto dia já estava contratada!
Tem sido uma honra trabalhar como professora e ainda que tal profissão, às vezes seja desvalorizada ou desprestigiada, como costumamos dizer, eu não me importo. Sei que o Senhor me capacitou a fazer isso e quem sabe um dia farei isso em alguma outra nação, levando o Evangelho além de ensinar algo.
Quem sabe? Sonhos para um futuro... pode nem ser tão distante assim, não é?!

Cris Taborda






