Mãe! Pai! Dá um real? Essa era a frase que há alguns anos as crianças falavam quando queriam dinheiro para comprar um doce, uma pipa, figurinhas, etc. Mas os anos passaram e as crianças cada vez ligam menos para doces ou pipas.
Com o avanço da tecnologia, o advento das redes sociais e a super-globalização musical e da moda, hoje as crianças estão sedentas pelos brinquedinhos e ferramentas dos adultos. Passam cada vez menos tempo sendo crianças e suas súplicas são por iPhones, Tablets, Andróides, Net e Notebooks, games super modernos, roupas e acessórios de marcas famosas e por aí vai.

Não importa a classe social os desejos são os mesmos e muitas vezes nossos filhos, sobrinhos, primos querem tudo aquilo que a mídia impõe como útil, bom e essencial e se elas não conseguem seus equipamentos declaram a terceira guerra contra seus pais e agem como se eles fossem cruéis e não entendessem a importância que tem obter tal brinquedinho.
Se nossos pequenos, muitas vezes não tão pequenos assim, estão agindo desta forma, grande parte da responsabilidade é nossa, pois muitas vezes negligenciamos a importância de ensinarmos o valor e o preço que cada coisa tem e os esforços que são feitos para obtê-las, como se uma criança não tivesse que ter responsabilidade sobre aquilo que lhe é dado ou como se elas, na condição de crianças, não precisassem merecer e se “esforçar” para ganhar algo.
Existem alguns passos importantes a serem dados quando o assunto é educar nossos filhos financeiramente. Se seu filho é pequeno, ótimo. Começando desde cedo é mais fácil conduzi-lo a ser um adolescente, um jovem e depois um adulto consciente. Se ele já é grandinho não desista! Sempre há tempo de reciclar o ensinamento, desde que você se proponha a ser firme, justa e ter paciência, afinal de contas é difícil se acostumar com algo diferente uma vez que durante anos foi feito da forma errada.
Trace limites!
Desde a roupa que seus filhos querem usar até aquilo que querem comer, você como mãe sabe o que é e o que não é adequado. Portanto se ele/ ela não quiser respeitar isso, olhe nos olhos, explique a situação e diga que desta vez não poderá ser do jeito dele/ dela.
Mostre a importância das reservas!
Compre um cofre daqueles que precisam ser destruídos para serem abertos e que não tem espaços para tirar o dinheiro antes da hora. No caso de adolescentes, abra uma poupança. Ensine a importância de se guardar parte do dinheiro que ganham para uma reserva ou para a obtenção de um bem que eles querem muito.

O que você quer X O que você precisa
A diferença entre o que queremos e o que precisamos é de extrema importância.
Um presente de aniversário pode ser dado na base do que eles querem, mas durante o ano o dinheiro precisa ser despendido sabiamente na base do que eles realmente precisam. Lembrando que às vezes eles terão de se virar com aquilo que têm, mesmo se estiverem precisando de algo.
Para ganhar algo é preciso dar algo antes!
Sempre antes de comprarem um brinquedo, uma roupa, um eletrônico novo, peça para seus filhos escolherem algo em boas condições de uso e funcionamento para dar. A mentalidade de acumular as coisas e sempre obter, mas nunca dar é muito perigosa, pois faz as crianças e adolescentes crescerem consumistas e egoístas, como se somente eles merecessem ter algo.
Saber o que querem e como escolher
Não manipule o gosto e os desejos dos teus filhos. Incentive-os a ter personalidade e separar os modelos, os tipos, as cores que gostam e dentre os escolhidos, levarem o que agrega boa qualidade, boa aparência e bom preço.
Às vezes o barato sai caro e Nem tudo o que é caro é bom
Abram a mente deles mostrando que às vezes aquilo que é mais barato pode dar prejuízo em breve e que nem tudo o que é caro é bom, ou mesmo que seja bom não é necessário ser levado, pois existem sim coisas muito boas com preços intermediários.
Boas escolhas requerem tempo
Ensine seus filhos que para que façam boas escolhas um tempo maior precisa ser investido. Na maioria das vezes aquilo que é feito na afobação, ansiedade e desespero levam ao arrependimento. Olhar o preço do que querem em várias lojas diferentes resulta, por exemplo, em economia.
Cada um tem uma situação
Ensinar que não é porque o vizinho ou o colega da escola tem que seu filho tem que ter também. Mostre que cada pessoa tem uma situação financeira, possibilidades, prioridades e mesmo uma educação financeira diferentes das suas.
Use uma linguagem adequada para cada idade
Não adianta falar de taxas de juros e inflação para uma criança de cinco anos, do mesmo jeito que não adianta falar para um adolescente de treze anos que o Papai do céu não vai gostar. Converse educadamente e pacientemente com seus filhos de acordo com a idade e situação, sempre olhando nos olhos e explicando o todo, mas sem ser muito extenso, pois os filhos escutam até certa parte.
Pai e mãe devem entrar em comum acordo

Tente ao máximo não discordar de seu marido e vice versa na frente de seus filhos com relação a dinheiro, presentes, merecimento, etc. Sempre converse antes com o seu esposo, peça a opinião e cheguem juntos ao veredito final para que as crianças não fiquem confusas e desrespeite um ou o outro.
Pode ser que no começo eles se revoltem, se rebelem, fiquem bravos, mas com a constância de suas ações e sua firmeza perceberão que não adianta espernear e que precisam respeitá-la. A conversa e explicação do NÃO é fundamental. O famoso “Porque Não!” e pronto não funciona para educar.
Fazendo isso você educará seu filho para ser um homem ou uma mulher muito mais consciente, seguro, doador e maduro evitando muitos problemas que a falta de sabedoria com o dinheiro traz.
Mãos a obra e boa sorte!
Juliana Amorim






